quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Tem alguma coisa que você quer muito ?
Já deve ter acontecido na sua vida. Suponha que você tenha um compromisso importante amanhã de manhã. Daí você separa tudo de que vai precisar, escolhe a roupa que vai usar e se programa para dormir cedo. Tudo lindo, exceto pelo fato de que...Você deita e o sono não vem. Você vira para um lado e para o outro e começa a pensar.”Eu preciso dormir cedo.Preciso!Já são 10 horas. Ai meu Deus,agora são 11!” Terrível não é ? Da última vez que isso aconteceu comigo, comecei a pensar: nessas horas quanto mais a gente se estressa querendo dormir, mais difícil fica conseguir.E daí pensei (com ódio, já que eu não queria pensar.Queria dormir!): não só no sono, mais também quando estamos acordadas, desejos muito fortes podem mais atrapalhar do que ajudar. Lembrei-me de uma amiga do colégio, que, em determinada época tinha dois sonhos: vencer o campeonato intercolegial de basquete e conquistar um cara. Para o primeiro objetivo, o plano era treinar, treinar e treinar. Para o segundo, variava. Tinha dia em que ela ignorava o carinha, tinha dia que ela o perseguia, tinha dia que ela tentava fazer ciúme, teve um dia que ela disse na cara dele que ele era lindo . Nada dava resultado e ela foi ficando desesperada: “Meu Deus, preciso desse garoto.Só serei feliz com ele. Preciso conseguir, preciso ... “ Acabou como a história do sono. O desespero foi tanto que resultou numa série de tentativas loucas, e o cara nunca achou a menor graça nela.
Claro, ela poderia ter agido sem desespero e mesmo assim não ter conquistado o cara (não há métodos 100% garantidos para fazer alguém ficar a fim da gente, não é ?), mas o ponto é: quando queremos muito alguma coisa, a intensidade do nosso desejo pode acabar atrapalhando tudo. A razão mais óbvia é que o desejo pode afetar nosso raciocínio. Loucas para conquistar nosso objetivo, não tomamos as melhores decisões, nossa impaciência vence nossa inteligência, a pressa ganha da perfeição e, aí, já viu: metemos os pés pelas mãos e prejudicamos o resultado justamente por desejá-lo tanto.
Daí você me pergunta: “Úé,como faço então? Mesmo desejando com toda a minha alma que alg aconteça, tenho que pagar de cool ?” Bom, sei que não é tão simples. Não podemos abaixar ou aumentar nosso desejo como o volume de uma música. Mas talvez ajude se a gente tentar (tentar!) respirar fundo e manter a calma e, principalmente, se a gente se convencer (de verdade) que sim, queremos algo, mas não, não vai ser o fim do mundo se não rolar.É um método sem graça de gente ponderada, mas que pode nos ajudar mais do que o desejo sem limites, sem freios. Então por que não tentar?
Ah, só para terminar a história da minha amiga do colégio: ela não só não ficou com o cara como não jogou na final do campeonato porque teve dor de barriga no dia. Claro que devia ter relação com a urgência em vencer , não é? Ela ficou o jogo inteiro do banco de reservas pro banheiro, do banheiro para o banco de reservas. Mas olha que bom: hoje ela é adulta, médica, aliás, e provavelmente nem lê esse blog. Mas enfim.
Liliana Prata deseja muita coisa
www.lilianeprata.com.br/blog
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